— Até que ponto é importante a discussão e desenvolvimento de teologia em torno de assuntos que não são esclarecidos pela Bíblia para a prática de “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.” e “Ame o seu próximo como você ama a si mesmo.”?
Durante a Segunda Guerra Mundial houve um prisioneiro judeu que era psiquiatra chamado Viktor Frankl. Ele passou por 4 campos de concentração e, diferente da reação que a maioria das pessoas teria, se utilizou dos sofrimentos que presenciou para aprimorar sua própria visão sobre saúde mental. Ao fim da Guerra foi o fundador de uma linha psicoterápica chamada LOGOSOFIA… que, assim como todas as demais, foi expandida e também alterada com o tempo por seus adeptos.
Mas a essência da coisa é que ele baseou sua análise da observação de que o ser humano, diferente de todos os outros seres, PRECISA de um sentido para viver. E aqueles que perdem isto, conseguem tornar as dores da existência ainda mais desagradáveis do que já são.
Sempre me perguntei sobre este paradoxo do conhecimento teológico. Afinal, se a teologia é fundamental, por que não é ensinada nos púlpitos? E se ela não é fundamental, para que a estudamos? Aparentemente a resposta mais razoável seja de que o ser humano procure SENTIDO para todas as coisas que vive. Neste aspecto, a teologia é uma ciência que visaria promover um exercício intelectual onde o sujeito necessita se abrir para algo que lhe é inicialmente exterior, mas que pode trazer algum sentido para questões que surgem interiormente.
O problema é que sem as perguntas certas, não há aproveitamento das respostas desenvolvidas. Ao invés do indivíduo se tornar um admirador do conhecimento possível, emerge uma certa tendência humana de que apego às respostas que pareçam circunstancialmente melhores adequadas. Neste aspecto EU diria que “pureza teológica” pode ser associada mais a um VÍCIO do que a uma VIRTUDE. E digo isso sem flertar absolutamente nada com o liberalismo ou relativismo. Chega a ser de uma obviedade inegável que coisas opostas não podem se equivaler; e que existe uma gradação de virtude em todas as coisas.
Por isso sempre afirmei o quanto a VERDADE é desafiadora de ser “conquistada”, porque ela é uma PESSOA (Cristo) e não um conhecimento puramente intelectual. Amar o conhecimento acerca de Deus é diferente de amar Deus. Mas como podemos amar quem não conhecemos cada vez com maior profundidade? Neste sentido, cito Santo Agostinho, no primeiro capítulo de sua obra “Confissões”:
“Concede, Senhor, que eu bem saiba se é mais importante invocar-te e louvar-te, ou se devo antes conhecer-te, para depois te invocar. Mas alguém te invocará antes de te conhecer? Porque, te ignorando, facilmente estará em perigo de invocar outrem. Porque, porventura, deves antes ser invocado para depois ser conhecido? Mas como invocarão aquele em que não crêem? Ou como haverão de crer que alguém lhos pregue?”
Poderíamos perfeitamente ficar com o “básico” da fé… se também ficássemos com o básico de todas as outras coisas. Mas a mente humana é movida por encontrar sentido em tudo. Isto é o que significa “dominar e subjugar” toda a criação desde o Éden. Algo que carrega uma similaridade entre criatura e Criador, provável atributo visivelmente observável em quem materializa a semelhança que possui com quem o criou.
Adão não precisava ir longe para procurar a similaridade entre o material e o eterno, uma vez que andava na presença do próprio Senhor na viração do dia (seja lá o que isto signifique realmente). Mas nós não temos este privilégio na mesma intensidade, como também afirma Paulo Apóstolo:
“Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.” — 1 Coríntios 13:12